quinta-feira, 7 de abril de 2011

Delírio !!!


  Enfim as luzes se acenderam e eu estava ali parado imóvel sem nenhuma reação. Meus olhos estavam estáticos, parado – viajando em um mundo só meu. As cores lentamente começaram a se misturar e o que era totalmente branco neutro, se distinguia em pedaços coloridos. Toda aquela aquarela me doía os olhos e me ardia o coração. Eu não queria acordar, não queria pensar como um deles - era tudo demais aos meus olhos. As vozes ecoavam de forma absurda dentro da minha cabeça. O primeiro feixe de luz solar que me tocara naquele momento, me fez sentir o doce ardido de toda uma vida, mal conseguia respirar. Da minha boca não saiu nenhuma palavra se quer, e mesmo que eu fizesse força nada acontecia- a não ser o aperto em meu peito que cada vez mais aumentara. Neste momento eu não queria nada além da mulher a quem me dera à “luz”, que me colocou em um mundo de loucos. 
 Em minha mente brotava milhões de pensamentos, um derivado do outro. Loucura, desejo, sonho, realidades irreais, talvez frustração. Já não havia respostas para todas as perguntas do mundo, outrora por medo acabei sendo abduzido por pensamentos delirantes. Delicado dizer ao mundo palavras belas, lançá-las ao vento sem sentido, como um locutor bastardo – esta era minha última opção.

 Estava perdido em meio a todo o tormento, de tal forma que minhas pernas não suportavam o peso do meu corpo. O cheiro de sujeira ardia minhas narinas na tentativa de inalar oxigênio. Lentamente meu coração pulsava sangue em meu corpo – dava para sentir o pulsar breve e brusco ao mesmo tempo em oscilações frequentes. Era como nascer novamente, estar presente pela primeira vez neste mundo. Estava me renovando novamente, após mais um adormecer súbito ocorrido pelo ópio da minha existência humana – na delicadeza de amar.
Só não queria levantar naquele momento. Permanecendo assentado, olhava toda movimentação dos corpos em minha frente, sentindo escorrer uma gota de lágrima dos meus olhos e inalando fumaças acinzentadas de um cigarro barato. Não queria ser notado, por isso esperei um tempo determinado para me levantar. O que me dava coragem era o seguinte pensamento: Mesmo que para todos os outros o mínimo seja insignificante, dentro do meu do meu coração este será eternamente importante.  São as mínimas coisas que continuam me dando um sentido para continuar nesta grande loucura, doando amor a quem mereça e a quem o conheça – vivendo uma verdade justa em seu tamanho e cor. 

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